Agricultura de conservação: um caminho para a mitigação das alterações climáticas - imagem campo

Agricultura de conservação: um caminho para a mitigação das alterações climáticas

As alterações climáticas estão na ordem do dia. Até 11 deste mês, 195 países encontram-se reunidos em Paris na Conferência Mundial do Clima, “COP 21”, para chegarem a um acordo que vise travar o aquecimento global a no máximo 2oC até 2100.

Para isso há que reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, identificar os reservatórios de carbono e trabalhar para equilibrar os ciclos de carbono.

A agricultura pode tornar-se parte da solução na mitigação das alterações climáticas e na adaptação a essas alterações.

Os solos albergam cerca de 1500 biliões de toneladas de carbono sob a forma de matéria orgânica (FAO, 2015) e quando geridos de forma sustentável podem reter até 0.7 toneladas de carbono por hectare e por ano (ECAF,2014). Ao invés, a perca de 1% de matéria orgânica nos primeiros 30 cm de solo, resultam em percas de aproximadamente 45 toneladas de carbono (ou 166 t de CO2) por hectare para a atmosfera (ECAF,2014).

A captação de carbono da atmosfera faz-se quando as plantas verdes absorvem esse carbono na fotossíntese e o transformam em açúcares. Por outro lado a adoção de práticas e técnicas de agricultura de conservação podem fazer a diferença entre o solo ser um emissor de CO2, sempre que há mobilização excessiva da terra, ou um reservatório de CO2.

O recurso à mobilização de conservação também pressupõe uma economia na utilização de combustíveis. A poupança de 50 a 80 litros de gasóleo por hectare devido à redução no número de passagens de máquinas leva a que, se deixem de emitir cerca de 132 a 211,2Kg de CO2/ha ( 1 litro gasóleo quando queimado liberta 2,64KgCO2). Se extrapolarmos este valor para a área de sementeira direta, mobilização na linha e enrelvamento da entrelinha das culturas permanentes, candidatadas às medidas agroambientais de proteção do solo que, este ano, segundo estimativa do IFAP, foram de 19 440 hectares para as duas primeiras e de 34 742 hectares para a última (54 182ha no total), teremos uma redução de emissões de CO2 para a atmosfera na ordem dos 7152 a 11 443 toneladas de CO2 o que equivaleria a retirar entre 3 612 e 5 779 carros de circulação por ano (132gCO2/Km x15 000Km/ano).

A agricultura de conservação tem como objetivo o aumento da quantidade de matéria orgânica no solo. Para isso é importante:

  • Manter a superfície do solo sempre coberta, seja de resíduos de uma cultura anterior, vegetação natural ou uma cultura de cobertura
  • Reduzir a mobilização dos solos ao mínimo e abandonar a mobilização com reviramento da terra (lavoura), optando por técnicas de sementeira direta, mobilização na linha ou mobilização mínima
  • Fazer rotação de culturas
  • Usar os fatores de produção de forma sustentável – Gerir eficazmente as áreas de pastoreio

Um solo rico em matéria orgânica retém melhor a água, aumenta a infiltração e diminui a erosão, sendo mais resiliente à seca e às cheias. Contribui também para o aumento da biodiversidade, melhorando o ciclo dos nutrientes e a fertilidade do solo.

Por todas estas razões a APOSOLO tem como objetivo fazer chegar a todos os agricultores informação detalhada sobre esse tipo de agricultura, com vista a que produzam de forma mais sustentável e eficiente, legando às gerações futuras um solo e um planeta mais saudável.

Aguardamos com espectativa as conclusões da Cimeira do Clima.

APOSOLO-Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo