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Agricultura de conservação, um exemplo de inovação num contexto de produção sustentável

A incerteza climática, a perca do recurso solo, quer pela erosão, quer por outros processos relacionados com o abaixamento da quantidade de matéria orgânica dos solos, fenómenos de compactação e perda de biodiversidade, a dependência cada vez maior da agricultura de fertilizantes e pesticidas (consumidores de energia no seu fabrico e distribuição), a ameaça de novas pragas e doenças e o decréscimo de água disponível e da quantidade de solo livre, têm vindo a alertar a população mundial para a necessidade de olhar para a agricultura de um modo mais sustentável.

Os agricultores terão, neste contexto, de ser capazes de responder às necessidades alimentares e às exigências em termos de qualidade, de uma população mundial de 7,5 mil milhões, que se estima que cresça, até 2050,até 9 mil milhões.

A agricultura de Conservação e a mobilização de conservação com a sementeira direta, a mobilização na zona ou a mobilização mínima, aliada a tecnologias que otimizem a eficiência da utilização dos inputs agrícolas quanto à oportunidade de aplicação e precisão (otimização da água de rega, agricultura de precisão entre outros), assumem uma alternativa tecnológica decisiva.

A AGRICULTURA DE CONSERVAÇÃO consiste numa abordagem diferente à utilização do solo, apostando no distúrbio mínimo desse solo, na proteção contante da sua superfície quer pelo enrelvamento de culturas permanentes, quer pela utilização de culturas de cobertura ou manutenção de palhas e resíduos da cultura anterior à sua superfície e na rotação de culturas.

A mobilização de conservação permite aumentar os teores de matéria orgânica no solo pela diminuição da sua mineralização e pelo maior retorno de resíduos ao solo, manter os agregados melhorando a sua estrutura e promover a biodiversidade. Um solo com mais matéria orgânica é mais fértil, e retém mais água. Essa matéria orgânica serve de alimento à vida biológica do solo, aumentando a reciclagem dos nutrientes. A melhoria da sua estrutura permite uma melhor circulação do ar, da água e dos nutrientes tornando-os mais disponíveis para a absorção pelas plantas. A melhoria da estrutura do solo também favorece a transitabilidade das máquinas facilitando o fornecimento oportuno de adubos ou fitofármacos às culturas. Não menos importante é o papel que o aumento do teor de matéria orgânico representa na mitigação e adaptação às alterações climáticas. A matéria orgânica funciona como um reservatório de carbono terrestre e ajuda os solos a tornarem-se mais resilientes aos efeitos das condições climáticas estremas, como secas ou cheias.

É importante trabalhar na sensibilização dos nossos agricultores para a importância da recuperação e manutenção do seu principal fator de produção – o solo- trabalhando de um modo mais eficiente em termos ecológicos, numa tentativa de tornar a agricultura um sistema mais equilibrado que contribua para a estabilidade e qualidade do ambiente, legando um recurso escasso, o solo, às gerações futuras.

 

Marta Manoel