A APOSOLO, no âmbito da AgroGlobal 2018 e em parceria com a Syngenta, organizou uma ação de demonstração no campo sobre a conservação do solo. Nesta ação sobre boas práticas de conservação do solo, a presidente e a secretária-geral da Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo (APOSOLO), respetivamente Gabriela Cruz e Marta Manoel, demonstraram o comportamento da água num solo mobilizado e sem cobertura por comparação a um solo com cobertura vegetal. Este último apresenta uma maior capacidade de infiltração da água, minimizando o fenómeno da escorrência e consequente arrastamento dos sedimentos, adubos e produtos fitofarmacêuticos para fora da parcela. “A agricultura de conservação, incluindo a não mobilização do solo, tem o objetivo de manter a estrutura do solo e conservá-lo na parcela do agricultor. Manter o solo coberto com vegetação é um uso mais sustentável do solo do que a mobilização”, explicaram as também agricultoras, que praticam agricultura de conservação há vários anos. Fonte: [agriculturaemar.com]...

A APOSOLO marcou presença na AgroGlobal 2018, que decorreu de 5 a 7 de setembro, em Valada do Ribatejo (Cartaxo). Para além do stand próprio com informação diversa sobre Agricultura de Conservação, a APOSOLO, em parceria com a Syngenta, organizou uma ação de demonstração no campo sobre a conservação do solo....

A APOSOLO foi a Organização de Agricultores vencedora dos Prémios Vida Rural 2018, uma iniciativa da Revista Vida Rural que premeia e celebra anualmente pessoas, organizações, empresas e projetos que se distinguem no panorama dos agronegócios em Portugal. A atribuição deste prémio reconhece a APOSOLO como uma entidade com um notável trabalho na área da Agricultura de Conservação....

Marta Manoel Aposolo-Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo Introdução Os sistemas de produção de culturas de outono inverno assentam na sua maioria em práticas tradicionais de mobilização dos solos com recurso a alfaias de reviramento de terras. O reviramento do solo tem as vantagens de enterrar os resíduos da cultura anterior, controlar as infestantes, preparar uma boa cama para a semente e aquecer a superfície do solo, ajudando a germinação e emergência da próxima cultura. No entanto, deixa a superfície descoberta e sujeita à ação do vento e da chuva, o que aumenta a erosão, degrada a estrutura do solo, favorece a compactação do solo e a formação de horizontes impermeáveis que dificultam a mobilidade da água no solo e o normal desenvolvimento radicular. O aumento do arejamento leva a uma rápida mineralização da matéria orgânica que provoca uma diminuição na retenção de água e nutrientes minerais e uma diminuição do poder tampão do solo (resistência à variação do pH). A incerteza climática e a perca do recurso solo, têm vindo a alertar a população mundial para a necessidade de olhar para a agricultura de um modo mais sustentável. Os agricultores deverão ser capazes de produzir de um modo mais eficiente em termos ecológicos, protegendo o solo, aumentando a reciclagem de nutrientes, a quantidade de matéria orgânica no solo, a sua capacidade de retenção de água e biodiversidade, numa tentativa de tornar a agricultura um sistema mais equilibrado que contribua para a estabilidade e qualidade do ambiente. Neste contexto, a sementeira direta aparece como uma das soluções que contribuem para a conservação dos solos, tendo havido nos últimos anos um recurso crescente a esta técnica, nomeadamente nos países da América do Sul e nos Estados Unidos da América. Na Europa, apesar do crescimento não se verificar ao mesmo ritmo, também se tem notado um crescente interesse pela técnica, interesse esse que, em Portugal, é demonstrado nomeadamente na tendência crescente na adesão às medidas agro- ambientais relacionadas com a proteção do solo.   Fonte: relatórios de execução PRODER (A medida sem. direta engloba a mobilização na zona) 2015: Dados provisórios de candidaturas recebidas, IFAP   Por outro lado é cada vez mais importante aumentar a produtividade da terra, e melhorar a eficiência do uso dos fatores de produção. As culturas de outono-inverno em Portugal, nomeadamente a produção de cereais, está sujeita a alguns constrangimentos nomeadamente no que toca à variabilidade da disponibilidade de água e aos tipos de solos, na sua maioria pouco férteis e com drenagem deficiente. Este aspeto leva a quebras de produção por falta ou excesso de água, condicionando o tráfego nas parcelas quando chove demais e tornando muitas vezes estas culturas um risco em termos de sustentabilidade económica. Culturas de outono-inverno em sementeira direta Para ser realizada com sucesso a sementeira direta deste tipo de culturas obedece a alguns critérios, uma vez que não existe mobilização do solo antes da sementeira, sendo a mesma realizada através da biomassa deixada pela cultura anterior. Para tal são utilizados semeadores especialmente concebidos para abrir um sulco, colocar a semente à profundidade desejada, fechar o sulco e promover o contacto entre a terra e a semente.   Sementeira direta de trigo sobre palha de milho Fonte:APOSOLO   Cuidados a ter antes da sementeira: Assegurar que os resíduos da cultura anterior se encontram uniformemente espalhados na parcela. Se tal não for assegurado, haverá problemas na homogeneidade da profundidade de sementeira, levando a germinações e emergências das plantas pouco uniformes. No caso da cultura anterior ser o milho, os colmos devem ser deixados em pé, uma vez que, nas nossas condições climatéricas, os mesmos dificilmente apodrecem até à sementeira da cultura seguinte e, se estiverem espalhados na parcela, constituem um tipo de biomassa difícil de cortar pelos discos cortadores do semeador de sementeira direta. Efetuar uma monda de pré-sementeira à base de glifosato e/ou MCPA de modo agarantir o controlo das infestantes nascidas, evitando que estas compitam com a cultura a instalar. A aplicação do glifosato deve ser feita com rigor técnico, tanto no que respeita à concentração da calda, como à maneira como é distribuída. A utilização de marcadores de espuma ou de GPS nos tratores é essencial, para garantir a sobreposição das passagens. Há que ter um cuidado constante com o entupimento dos filtros dos bicos do pulverizador, para não haver falhas na aplicação. O glifosato é de absorção lenta; assim a sua aplicação deve ser feita em dias em que não seja previsível a queda de chuva. No entanto, existem já formulações que funcionam com períodos sem chuva de apenas 12h. Garantir que o solo não se encontra compactado e que a superfície se encontra regular. No caso de haver compactação, deverá recorrer-se à utilização de uma alfaia de mobilização vertical tipo chisel ou subsolador. Para evitar a compactação é importante garantir, sempre que possível e aquando da colheita da cultura anterior, que o solo não se encontra com demasiada humidade bem, como controlar, reduzindo-o ao máximo, o tráfego na parcela. Verificar se o solo não se encontra demasiado frio e húmido, caso em que se deve deixar evaporar o excesso de água. Muitos dos problemas de germinação em sementeira direta de culturas de outono-inverno resultam de excessos de água no solo na altura da sementeira, condicionando a difusão de oxigénio no solo, oxigénio esse, essencial ao processo germinativo. Por sua vez, a escassez de água, também pode ser determinante no sucesso da instalação da cultura pelo que o agricultor deve saber esperar pelo momento mais adequado para realizar a sementeira. Cuidados a ter durante a sementeira: Utilizar um semeador de acordo com as condições de sementeira, condições essas que devem ser aferidas ao longo do tempo. O semeador deve ser fácil de regular, capaz de lidar com a biomassa da cultura anterior, preciso na colocação da semente em profundidade e na linha e de preferência capaz de aplicar fertilizantes. Deverá haver o cuidado de verificar o estado de conservação dos diferentes componentes do semeador, substituir as peças danificadas e lubrificar a máquina de acordo com as instruções do fabricante. O mesmo deve ser regulado para a quantidade de adubo e semente a utilizar.   Sementeira direta de trigo Fonte: APOSOLO   A escolha da semente deve ser feita verificando a sua adaptabilidade à região, a duração do ciclo para a data de sementeira, a sua sensibilidade a pragas e doenças e as suas exigências hídricas e nutricionais. O semeador deve ser regulado para a densidade pretendida em termos de número de grãos por metro quadrado. Deverá também observar-se o solo e a biomassa da cultura anterior em busca de pragas ou doenças que possam comprometer a próxima cultura (lesmas, alfinetes do solo, cicadelas, roscas, piolhos, etc.), caso em que se deve por a hipótese de realizar um tratamento fitofármaco. O conhecimento do tipo de infestantes comuns na parcela é de extrema importância de forma a poder prever com antecedência o herbicida a utilizar. No momento da sementeira deve haver o cuidado de monitorizar a operação de perto: é essencial verificar se o semeador corta os resíduos vegetais afastando-os ligeiramente da linha, se o semeador está a aplicar a quantidade certa de semente e adubo e que a semente é colocada à profundidade desejada (1 a 3 cm para cereais de outono- inverno), devidamente aconchegada ao solo através do fecho do sulco e ainda, se o adubo fica a uma distância de cerca de 2 cm da semente. A cultura deve ser conduzida de forma a satisfazer as suas necessidades em fertilização, controle de infestantes, pragas e doenças, e colhida na altura e da forma mais adequada Conclusão As culturas de outono-inverno podem ser feitas com sucesso recorrendo à técnica da sementeira direta. No entanto, para que tudo corra eficazmente há que ter alguns cuidados especiais como os descritos anteriormente. A utilização desta técnica permite aumentar a matéria orgânica do solo e consequentemente melhorar a sua fertilidade e retenção de água, contribuindo para a diminuição da erosão e legando às gerações futuras um recurso indispensável para a realização da atividade agrícola, o SOLO. ...

A incerteza climática, a perca do recurso solo, quer pela erosão, quer por outros processos relacionados com o abaixamento da quantidade de matéria orgânica dos solos, fenómenos de compactação e perda de biodiversidade, a dependência cada vez maior da agricultura de fertilizantes e pesticidas (consumidores de energia no seu fabrico e distribuição), a ameaça de novas pragas e doenças e o decréscimo de água disponível e da quantidade de solo livre, têm vindo a alertar a população mundial para a necessidade de olhar para a agricultura de um modo mais sustentável. Os agricultores terão, neste contexto, de ser capazes de responder às necessidades alimentares e às exigências em termos de qualidade, de uma população mundial de 7,5 mil milhões, que se estima que cresça, até 2050,até 9 mil milhões. A agricultura de Conservação e a mobilização de conservação com a sementeira direta, a mobilização na zona ou a mobilização mínima, aliada a tecnologias que otimizem a eficiência da utilização dos inputs agrícolas quanto à oportunidade de aplicação e precisão (otimização da água de rega, agricultura de precisão entre outros), assumem uma alternativa tecnológica decisiva. A AGRICULTURA DE CONSERVAÇÃO consiste numa abordagem diferente à utilização do solo, apostando no distúrbio mínimo desse solo, na proteção contante da sua superfície quer pelo enrelvamento de culturas permanentes, quer pela utilização de culturas de cobertura ou manutenção de palhas e resíduos da cultura anterior à sua superfície e na rotação de culturas. A mobilização de conservação permite aumentar os teores de matéria orgânica no solo pela diminuição da sua mineralização e pelo maior retorno de resíduos ao solo, manter os agregados melhorando a sua estrutura e promover a biodiversidade. Um solo com mais matéria orgânica é mais fértil, e retém mais água. Essa matéria orgânica serve de alimento à vida biológica do solo, aumentando a reciclagem dos nutrientes. A melhoria da sua estrutura permite uma melhor circulação do ar, da água e dos nutrientes tornando-os mais disponíveis para a absorção pelas plantas. A melhoria da estrutura do solo também favorece a transitabilidade das máquinas facilitando o fornecimento oportuno de adubos ou fitofármacos às culturas. Não menos importante é o papel que o aumento do teor de matéria orgânico representa na mitigação e adaptação às alterações climáticas. A matéria orgânica funciona como um reservatório de carbono terrestre e ajuda os solos a tornarem-se mais resilientes aos efeitos das condições climáticas estremas, como secas ou cheias. É importante trabalhar na sensibilização dos nossos agricultores para a importância da recuperação e manutenção do seu principal fator de produção - o solo- trabalhando de um modo mais eficiente em termos ecológicos, numa tentativa de tornar a agricultura um sistema mais equilibrado que contribua para a estabilidade e qualidade do ambiente, legando um recurso escasso, o solo, às gerações futuras.   Marta Manoel ...

As alterações climáticas estão na ordem do dia. Até 11 deste mês, 195 países encontram-se reunidos em Paris na Conferência Mundial do Clima, “COP 21”, para chegarem a um acordo que vise travar o aquecimento global a no máximo 2oC até 2100. Para isso há que reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, identificar os reservatórios de carbono e trabalhar para equilibrar os ciclos de carbono. A agricultura pode tornar-se parte da solução na mitigação das alterações climáticas e na adaptação a essas alterações. Os solos albergam cerca de 1500 biliões de toneladas de carbono sob a forma de matéria orgânica (FAO, 2015) e quando geridos de forma sustentável podem reter até 0.7 toneladas de carbono por hectare e por ano (ECAF,2014). Ao invés, a perca de 1% de matéria orgânica nos primeiros 30 cm de solo, resultam em percas de aproximadamente 45 toneladas de carbono (ou 166 t de CO2) por hectare para a atmosfera (ECAF,2014). A captação de carbono da atmosfera faz-se quando as plantas verdes absorvem esse carbono na fotossíntese e o transformam em açúcares. Por outro lado a adoção de práticas e técnicas de agricultura de conservação podem fazer a diferença entre o solo ser um emissor de CO2, sempre que há mobilização excessiva da terra, ou um reservatório de CO2. O recurso à mobilização de conservação também pressupõe uma economia na utilização de combustíveis. A poupança de 50 a 80 litros de gasóleo por hectare devido à redução no número de passagens de máquinas leva a que, se deixem de emitir cerca de 132 a 211,2Kg de CO2/ha ( 1 litro gasóleo quando queimado liberta 2,64KgCO2). Se extrapolarmos este valor para a área de sementeira direta, mobilização na linha e enrelvamento da entrelinha das culturas permanentes, candidatadas às medidas agroambientais de proteção do solo que, este ano, segundo estimativa do IFAP, foram de 19 440 hectares para as duas primeiras e de 34 742 hectares para a última (54 182ha no total), teremos uma redução de emissões de CO2 para a atmosfera na ordem dos 7152 a 11 443 toneladas de CO2 o que equivaleria a retirar entre 3 612 e 5 779 carros de circulação por ano (132gCO2/Km x15 000Km/ano). A agricultura de conservação tem como objetivo o aumento da quantidade de matéria orgânica no solo. Para isso é importante: Manter a superfície do solo sempre coberta, seja de resíduos de uma cultura anterior, vegetação natural ou uma cultura de cobertura Reduzir a mobilização dos solos ao mínimo e abandonar a mobilização com reviramento da terra (lavoura), optando por técnicas de sementeira direta, mobilização na linha ou mobilização mínima Fazer rotação de culturas Usar os fatores de produção de forma sustentável - Gerir eficazmente as áreas de pastoreio Um solo rico em matéria orgânica retém melhor a água, aumenta a infiltração e diminui a erosão, sendo mais resiliente à seca e às cheias. Contribui também para o aumento da biodiversidade, melhorando o ciclo dos nutrientes e a fertilidade do solo. Por todas estas razões a APOSOLO tem como objetivo fazer chegar a todos os agricultores informação detalhada sobre esse tipo de agricultura, com vista a que produzam de forma mais sustentável e eficiente, legando às gerações futuras um solo e um planeta mais saudável. Aguardamos com espectativa as conclusões da Cimeira do Clima. APOSOLO-Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo ...